segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Reunião do Comitê MVJ do Ceará com o GT da Repressão aos Trabalhadores da CNV

            No dia 27 de setembro o Comitê reuniu-se com o companheiro Sebastião Neto, do GT da Repressão aos Trabalhadores e aos Sindicatos da Comissão Nacional da Verdade, sendo representado pelos companheiros Sílvio Mota, José Machado Bezerra e Valter Pinheiro.
            Estiveram presentes várias entidades de trabalhadores, representando os trabalhadores rurais, os sapateiros, os caminhoneiros, os gráficos, os comerciários e o movimento dos  sem teto, apesar da exiguidade do tempo da convocação.
             Foram explicitados os 11 pontos que norteiam o trabalho do GT, distribuídos questionários específicos, e firmou-se um entendimento de prosseguir com os trabalhos do GT no Ceará através do Comitê, em parceria com as entidades populares e sindicais.
            A próxima reunião do Comitê estará principalmente dedicada à operacionalização desse trabalho, tendo sido para ela convocadas as entidades  presentes.


A morte de um herói discreto

Em fevereiro de 1958, graças ao livro La Question, de Henri Alleg, a França descobriu que seu Exército torturava na Argélia, como os nazistas da Gestapo tinham torturado os resistentes franceses. Imediatamente, o jornalista comunista nascido em Londres sob o nome de Harry Salem, filho de judeus russo-poloneses, se transformou num ícone da luta anticolonial, em plena guerra da Argélia.

Antes, alguns intelectuais haviam escrito artigos na imprensa mas naquele livro, um homem torturado dava seu testemunho. O diretor do jornal Alger Républicain – militante da luta anticolonialista, sequestrado e preso no ano anterior – confirmava as suspeitas num relato que se transformou imediatamente num best-seller. A partir da segunda edição, o livro passou a ter um posfácio de Jean-Paul Sartre, no qual o filósofo dizia: “Henri Alleg pagou o mais elevado preço para ter o direito de continuar um homem”.
Dia 17 deste calorento mês de julho, Henri Alleg faleceu em Paris, aos 91 anos, vítima de um AVC. Os principais jornais franceses noticiaram sua morte com espaço dedicado somente aos grandes personagens. O Le Monde deu uma página inteira, Libération, duas, e o comunista L’Humanité, do qual Alleg foi diretor, deu a notícia na capa, ressaltando os combates do jornalista e escritor contra o colonialismo, a opressão e todo tipo de racismo.
O presidente François Hollande louvou “o anticolonialista ardente cujo livro alertou o país sobre a realidade da tortura na Argélia”.
O secretário nacional do Partido Comunista Francês, Pierre Laurent, escreveu que o nome de Henri Alleg “permanecerá para sempre sinônimo de verdade, de coragem, de justiça”.
O diretor do jornal L’Humanité, Patric Le Hyaric, escreveu :
“A melhor homenagem que o Estado francês poderia fazer a Henri Alleg seria, enfim, reconhecer oficialmente a tortura na Argélia, assim como os crimes de guerra.”
Outra articulista, Rosa Moussaoui ressaltou que Alleg combateu “até o fim, sem cessar, a direita francesa sempre disposta a exaltar os ‘aspectos positivos’ da colonização”. Ela se referia ao longo debate durante o governo de Nicolas Sarkozy que, tentando reabilitar o período colonial, se pôs a apontar “aspectos positivos” na colonização francesa.
O livro
Quando foi proibido na França, três meses depois de ser lançado, o livro La Question já era um best-seller, com 65 mil exemplares vendidos. O governo do general Charles De Gaulle, tendo o escritor André Malraux como ministro da Cultura, não sabia ainda como iria acabar a guerra que, aliás, não era chamada de guerra pela França, mas “les événements d’Algérie” (os acontecimentos da Argélia). A expressão guerra da Argélia só foi imposta pelos historiadores muito depois da independência da antiga colônia.
A partir da proibição, o livro passou a ser impresso na Suíça e depois saiu em diversos países. Na França, o texto de Alleg passou a ser distribuído clandestinamente por uma rede de militantes católicos, socialistas e comunistas. Antes do livro, a revista católica Esprit havia denunciado a tortura na Argélia, mas Alleg veio trazer à opinião pública um texto-testemunho de grande qualidade literária. Nele não há psicologia ou julgamento moral – o texto é límpido, seco e objetivo.
O relato de Alleg tinha deixado a prisão em folhas soltas, levadas por seu advogado, burlando o controle dos torturadores. La question foi editado por Jérôme Lindon nas Editions de Minuit, num clima de debate passional entre os anti e os pró-colonização. O livro despertou a consciência de toda uma geração que descobriu horrorizada a tortura exercida pelos paraquedistas franceses em nome do combate à “subversão” da Frente de Libertação Nacional, que lutava pela independência da Argélia.
Em 1960, Alleg foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados. No ano seguinte, fugiu da prisão indo se refugiar num país do Leste europeu. Escreveu diversos livros e dedicou toda sua vida ao jornalismo, à causa comunista e ao combate anticolonialista.
A notícia da morte de um herói discreto me transportou ao mês de dezembro de 2011, quando fui à sua casa na banlieue parisiense para uma entrevista em torno do seu livro e de sua experiência de resistente à guerra colonial na Argélia. Ele será um personagem do livro que estou escrevendo sobre como os militares franceses na Argélia exportaram técnicas de tortura e de controle das populações civis através do general Paul Aussaresses, que viveu no Brasil por quase três anos como adido militar da França.
Apesar da idade avançada, Alleg tinha a memória intacta e a inteligência preservada pelo tempo. E ao contar sua prisão, tortura e engajamento, seus olhos brilhavam cheios de vida e de generosidade

VISITA NA ESCOLA JOÃO MATOS - MONTESE

O CMVJ-CE participou de debate e conscientização na Escola de Ensino Fundamento e Médio João Matos, no Montese. Cerca de 40 jovens do Ensino Fundamental que participavam da Semana Cultural da Escola participaram de apresentação do Comitê quando foram denunciadas as torturas e outros crimes cometidos pelos militares. Os jovens, já orientados pela professora Beth, vestiam blusas que mostravam repúdio á Ditadura Militar. Walter Pinheiro, José Machado e Silvio Mota reforçaram a continuidade dessa luta nos dias de hoje.

Logo após, os alunos do 3º Ano do Ensino Médio puderam escutar a voz da luta pela Punição aos Criminosos quando foram informados os desaparecimentos, sequestros e assassinatos cometidos pelos militares e civis golpistas. O Comitê se comprometeu a retornar na Escola para apresentação de vídeos que tratam do assunto.

Além dos membros do Comitê, participaram diretores da União dos Estudantes Secundaristas da Região Metropolitana de Fortaleza (UESM) e do Movimento de Mulheres Olga Benário.

O CMVJ-CE continua ATIVO na LUTA PELA PUNIÇÃO AOS TORTURADORES E ASSASSINOS!




PREMIO NOBEL DE LA PAZ A BARACK OBAMA

REVOCAR


             Los abajo firmantes solicitamos a la organización Premio Nóbel, revocar el galardón otorgado al presidente de los Estados Unidos de Norteamérica "Barack Obama" en ocasión de reconocerlo como un hombre que podía haber procurado la paz mundial.
            Barack Obama se ha mostrado contrario a los principios elementales de la Paz y recientemente ha iniciado los procedimientos internos en su país y a través de la OTAN para atacar militarmente al pueblo de Siria por encima del derecho internacional; de la misma forma ha patrocinado y hecho participar a su país en la agresión contra Libia al tiempo que no detiene las agresiones bélicas contra Irak y Afganistán provocando muertes diariamente en las intervenciones militares que lleva su país.
            Los abajo firmantes consideramos pertinente que la organización Premio Nóbel revoque el otorgamiento de su galardón a este ciudadano que ha hecho de este premio una patente de corzo para la invasión y agresión integral a pueblos que luchan por la paz y que mantienen debates democráticos dentro de sus fronteras en la procura de la instauración de modelos propios y autóctonos, cuyos orígenes y características se deben a la formalidad de sus propias culturas.

            La paz no se resume a un premio,
            El honor de la paz no debe ser para los señores de la guerra.

Firmar aquí:

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

CHARGE DA VISITA AO DOI-CODI

Viva à LUTA PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!

Comissão recolhe depoimentos de catarinenses presas durante a ditadura militar


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Audiencia Publica CEV 1
Marlene Soccas (E) falou sobre a prisão, onde permaneceu por dois anos e meio
Florianópolis, 05/09/2013 - A Comissão Estadual da Verdade (CEV), com o apoio do grupo Coletivo Memória, Verdade e Justiça, levantou na tarde desta quarta-feira (5) novos depoimentos de mulheres catarinenses presas durante os períodos em que vigorou o Estado de exceção no país. Realizado no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, o evento integra a semana que marca os 40 anos de desaparecimento do ex-deputado catarinense Paulo Stuart Wright.
 
Esta é a 11a edição do evento, que procura reconstituir os fatos ligados às violações dos direitos políticos e civis entre 1946 e 1988. "São muito conhecidas as prisões efetuadas após 1964 e a edição do AI5, mas as violações remontam a 18 de setembro de 1946, com a cassação do Partido Comunista e chegam até a promulgação da Constituição de 1988", destacou o coordenador da Comissão, Naldi Otávio Teixeira.
Até o momento, disse, já foram levantados 20 mil inquéritos policiais emitidos pelo Doi-Codi, dos quais foram constatadas as prisões de 15 mulheres catarinenses pela ditadura militar. As alegações para as detenções iam desde subversão até perturbação da ordem pública.
O objetivo do CEV é reunir as informações em um relatório, que posteriormente será encaminhado ao governador do Estado e à Comissão Nacional da Verdade. “Não estamos julgando ninguém e nem levantando bandeiras, mas apenas apurando os fatos, que precisam ser levados ao conhecimento da sociedade catarinense", informou o coordenador.
Audiencia Publica CEV
Audiência foi realizada no Plenarinho da Alesc, em Florianópolis
Depoimentos marcados pela emoção
Ao todo, foram registrados os depoimentos de sete catarinenses, histórias marcadas pela emoção e esperança de que fatos semelhantes não voltem a acontecer. Um dos relatos mais contundentes foi apresentado pela dentista e historiadora lagunense Marlene Soccas. Ex-integrante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Marlene foi presa em São Paulo em maio de 1970, onde permaneceu por dois anos e meio. "Fui levada para a sede da Operação Bandeirante (Oban), centro clandestino do Exército e financiado por empresários para cassar, torturar e matar os opositores do regime e que mais tarde se transformou no Doi-Codi".
Ela relembrou os doze dias em que foi submetida pelos militares a torturas, físicas e psicológicas, para que entregasse os demais companheiros. "Já no começo mandavam tirar toda a roupa, para nos deixar em uma situação de vulnerabilidade, à qual se seguiam choques elétricos, palmatórias, pancadas e agressões físicas em aparelhos como pau-de-arara e cadeira dragão", contou.
Marlene recorda que na Oban conheceu a atual presidente Dilma Rousseff, que havia sido encarcerada no local quatro meses antes. "Não éramos coitadinhos, sabíamos perfeitamente dos riscos que corríamos, mas estávamos dispostos a pagar para que houvesse uma transformação social no país", frisou.
Um caso curioso levantado durante a audiência e que demonstra o rigor político e social vigente na época, foi relatado por Rosangela de Souza, detida em 30 de novembro de 1979, aos 23 anos, por ter "faltado com o respeito com o general Figueiredo", presidente do país na ocasião. "Eu era estudante de Direito na UFSC e com meus colegas, organizei uma manifestação pública contra o governo. Foi o suficiente para ser presa por dez dias e responder processo no Tribunal Militar em Curitiba". A detenção aconteceu no Hospital Militar, em Florianópolis, onde permaneceu incomunicável por oito dias, sendo interrogada e ameaçada continuamente.
Hoje advogada, Rosângela destacou que diversas informações referentes ao período militar ainda não são do conhecimento da sociedade. "Tivemos acesso a uma pequena parte dos arquivos, principalmente do Exército, mas ainda falta liberar os documentos da Marinha, responsável pelos piores casos de tortura e desaparecimentos. Estamos pressionando a presidente Dilma para que isso aconteça, mas ainda há uma grande pressão dos militares para que certos acontecimentos não venham a público", observou. Durante a audiência foram ouvidos ainda os relatos de Derlei Catarina de Luca, Rosimeri Cardoso, Maria Isabel Camargo Regis, Raquel Felou e Marize Lippel.
Fonte: Alexandre Back – Agência Alesc

LEVANTE PREPARA ACAMPAMENTO ESTADUAL

Levante Popular da Juventude - Ceará


Posted: 26 Sep 2013 11:55 AM PDT

Nos dias 15, 16 e 17 de novembro deste ano, ocorrerá o primeiro Acampamento Estadual Frei Tito de Alencar, organizado pelo Levante Popular da Juventude Ceará. O evento se realizará na UECE - Campus Itaperi e esse ano está com o tema "Juventude com vontade para mudar a sociedade!"Por isso, o Levante realizou a gravação de uma vídeo-chamada para convidar a juventude do nosso estado a se fazer presente no evento.

Veja o resultado a seguir:

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

VISITA AO DOI-CODI - VAMOS À LUTA!

Galeria





RJ: Randolfe diz que foi agredido por Bolsonaro na visita ao Doi-Codi

Marcus Vinicius Pinto

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) diz que foi agredido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) na manhã desta segunda-feira durante a visita ao Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (Doi-Codi), que funcionava em um prédio no interior do 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Na entrada ao local, os dois discutiram e o deputado acabou desferindo um soco na barriga do senador. 
Bolsonaro é militar e defensor do Exército e alega que a ditadura salvou o País do comunismo. A visita é feita por integrantes das comissões Nacional da Verdade (CNV) e Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-RJ), além de outros parlamentares, como a deputada Luiza Erundina (PSB-SP),e do procurador da República Antônio Cabral.
Randolfe teria sido agredido por Bolsonaro


Para a Comissão da Verdade do Rio, o Doi-Codi foi o principal centro de torturas do Rio durante a ditadura militar. A visita ao prédio é o primeiro passo da proposta de transformar o local em um centro de memória, como ocorreu com o antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) deSão Paulo e com os centros de tortura na Argentina, no Uruguai e no Chile.
A visita estava marcada para a sexta-feira, mas de acordo com a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, foi suspensa por causa de veto do Exército ao nome da deputada Luiza Erundina. A nova data foi acertada em uma reunião na quarta-feira com o ministro da Defesa, Celso Amorim, e os senadores João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues e Ana Rita (PT-ES).

sábado, 21 de setembro de 2013

Comissão da Verdade de SP: documentos oficiais dizem que não existiam os "porões da ditadura"

20/09/2013 - 20h08

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo –  Com base em documentos oficiais, alguns deles compilados da Comunidade Setorial de Informações do Ministério da Marinha, e que foram apresentados na tarde de hoje (20) durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo concluiu que toda a estrutura de repressão política na ditadura militar brasileira foi planejada e obedecia a uma ordem de comando. “Não existem porões da ditadura”, concluiu Ivan Seixas, um dos coordenadores da Comissão Estadual da Verdade.
“A cadeia de comando mostra que não existia vontade própria. Se o torturador resolvesse matar, não obedecendo à cadeia de comando, ele seria punido. Pela cadeia de comando vê-se que do ditador, que era supostamente o presidente [da República], até o torturador, que estava lá na ponta, todos tinham uma sequencia de comando. Obedeciam ordens e obedeciam orientações. E quem estava embaixo prestava contas do que fez”, disse Seixas.
Segundo o coordenador da comissão, não houve situações durante a ditadura militar brasileira em que alguém pudesse ter sido preso, torturado ou morto sem conhecimento da cúpula. “Todos sabiam. Isso é um fato. Essa estrutura não foi algo que nós concluímos. É um documento da repressão no qual está escrito que todos [os órgãos] vão se reportar ao SNI [Sistema Nacional de Informações], que se reporta ao presidente da República. Então, não existe uma coisa em que, em um determinado local, fizeram algo e não comunicaram porque senão estariam subvertendo a hierarquia”, explicou Seixas.
Durante a audiência pública de hoje, que teve a presença de Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade, e do vereador Gilberto Natalini, presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, Seixas apresentou um organograma da ditadura militar, estrutura que observou em um documento da Marinha, e que definiu o SNI como o órgão central da rede repressiva, ao qual todos os demais órgãos respondiam.
“A expressão porões [da ditadura] queria significar que acontecia alguma coisa em níveis subalternos e níveis inferiores que o comando, os governantes e os presidentes [da República] não tinham conhecimento e não desejavam. O que se comprova é que essa política foi planejada desde cima, desde uma cúpula, desde o SNI, com o presidente da República. É claro que houve um mínimo de autonomia na execução, como existe em relação a qualquer trabalho. As pessoas que são as executoras interpretam de uma forma ou de outra, mas havia o planejamento centralizado e hierárquico, vindo da cúpula”, disse Rosa Cardoso.
O SNI era o órgão de cúpula do Sistema Nacional de Informações (Sisni), composto por vários centros de informações que funcionavam dentro da Aeronáutica, da Marinha e do Exército e tinha um braço também no exterior, controlando a atuação dos exilados e banidos do país. Dentro de sua estrutura, o Sisni era composto também pelos centros de operações de Defesa Interna (os Codis), órgãos de planejamento e de comando da estrutura militar de repressão no país, e das divisões de Segurança e Informação (DSI), serviço secreto específico para cada área de atuação. Os DSIs, por exemplo, eram responsáveis por vigiar os funcionários públicos e cidadãos brasileiros, detectando os “possíveis inimigos do regime” e funcionavam dentro de cada ministério do regime, seja ele militar ou civil.
Dentro dos DSIs, por exemplo, estavam as assessorias de Segurança e Informação (ASIs) ou assessorias especiais de Segurança e Informação (Aesis), que eram seus braços operacionais. Essas assessorias funcionavam dentro de empresas estatais, autarquias e até mesmo universidades.
“As Aesis eram parte da estrutura de repressão. Nos ministérios existiam as DSIs, que eram a divisão de segurança e informação. Todos os ministérios tinham [as DSIs]. Nas suas instâncias inferiores - tais como empresas, autarquias e universidades - haviam as ASIs”, explicou Seixas. “A Aesi da Universidade de São Paulo [USP] era parte da cadeia do Ministério da Educação. Então, tudo se reportava ao Ministério da Educação. Os caras que faziam a vigilância, por exemplo, de estudantes que eles achavam que eram agitadores e de professores que eram cúmplices, reportavam tudo isso para o aparelho de repressão”, falou.
Para Rosa Cardoso, a Comissão Nacional da Verdade precisa promover um encontro entre as diversas comissões da verdade que foram montadas pelas universidades de todo o país. “Acho que a Comissão Nacional tem que fazer um encontro com essas comissões das universidades assim como fará, na próxima semana, um encontro com as comissões oficiais estaduais e municipais. Temos também que conversar com as comissões das universidades para que elas nos mandem documentos e informações para que possamos inclui-los no nosso relatório”, disse.
Dentro da estrutura do Sistema Nacional de Informações existia também as comunidades complementares de informações. Algumas destas comunidades complementares pertenciam a entidades privadas que foram selecionadas para colaborar com o regime no que fosse solicitado. “Havia comunidades complementares nos governos estaduais, como o Dops e a Polícia Militar, e nos municipais. Mas nas comunidades privadas tinha uma estrutura que não está determinada porque não tinham documentos oficiais”, disse Seixas.
Segundo Seixas, existia uma “ligação umbilical” entre empresas privadas e o aparato de repressão e a Comissão Estadual da Verdade, da qual ele faz parte, está tentando obter documentos que comprovem e expliquem melhor essa ligação entre o regime e as empresas.
Durante a audiência, o vereador Gilberto Natalini pediu que a Comissão Nacional da Verdade possa ouvir o delegado da Polícia Civil Laertes Aparecido Calandra, um dos agentes repressores do regime. Em resposta, Rosa Cardoso disse que a comissão vai ouvir Calandra e deve voltar também a ouvir o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. ”O Calandra será ouvido pela Comissão Nacional e pela Comissão Municipal. Vamos emprestar e usar nosso poder de convocação, que permitem a condução coercitiva, caso o convite não seja atendido”, disse. Rosa Cardoso disse que o depoimento de Calandra à Comissão Nacional da Verdade deve ocorrer até o final deste ano.
Natalini também disse que, na próxima segunda-feira, a Comissão Municipal de São Paulo vai pedir o reexame do crânio do motorista que dirigia o veículo em que estava o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek. Juscelino morreu em um acidente de carro ocorrido em 1976.
O presidente da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, o deputado estadual Adriano Diogo, disse que os trabalhos da comissão que preside, que já ouviu 159 vítimas do regime militar, irá agora se concentrar na cadeia de comando. A ideia, segundo o deputado, é reunir documentos que comprovem e expliquem o comando do regime.
Edição: Fábio Massalli
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir o material é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ATO EM FORTALEZA RELEMBRA OS 40 ANOS DA IMORTALIDADE DOS HERÓIS DO PCR


                Num clima de muita emoção e combatividade cerca de 80 companheiros e companheiras relembraram a história e a luta dos heróis do Partido Comunista Revolucionário, em especial Manoel Lisboa de Moura, Manoel Aleixo e Emanuel Bezerra dos Santos. Eles desapareceram em 1973 após intensa campanha de perseguição dos militares, padeceram as mais brutais torturas, foram assassinados e tiveram os corpos ocultados há exatamente 40 anos.
                O Ato ocorreu na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil do Estado do Ceará, no Centro de Fortaleza. Após todos cantarem a Internacional foi montada uma mesa de debate com a Presença do Juiz do Trabalho Aposentado e Coordenador do Comitê Memória, Verdade e Justiça do Ceará, Silvio Mota; da Assessora da Deputada Estadual Eliane Novais, Valderez Albuquerque; do Dirigente da União da Juventude Rebelião, Fábio Andrade; e o Dirigente do PCR, Serley Leal.
                Todos ressaltaram a importância da Luta pela Memória dos heróis assassinados no período da ditadura militar e da necessidade de seguir lutando pela causa da democracia e do socialismo. Serley Leal assim resumiu: “A ditadura militar acreditava que, ao assassinar os companheiros, estaria enterrando para sempre o PCR. Um tremendo engano. Hoje, o exemplo desses companheiros inspira muito mais pessoas no Brasil, e, todos nós seguiremos conforme o pedido de Manoel, construindo o partido no caminho da Revolução Socialista”.

                Foi também apresentado um vídeo em homenagem aos companheiros e o ato foi encerrado ao som da dupla Leticia Sales, estudante da UFC, e Carlos Augusto, músico, os quais entoaram os sons que embalavam os militantes revolucionários naquele período.




quinta-feira, 19 de setembro de 2013

PELA PAZ E CONTRA A AGRESSÃO À SÍRIA PELOS EUA E SEUS ALIADOS

Hoje , dia 17 de setembro , terça feira, participei de mais um evento:CONTRA A AGRESSÃO A SÍRIA.Aluguei uma carroça  no final da Avenida dos Andradas cujo os donos Renato e Hélio entenderam perfeitamente o objetivo da nossa manifestação. Subi na carroça  e fui  até o centro de BH pegar um caixão para enterrar OBAMA e CIA. Na hora da saída para o Colégio Arnaldo onde começaria a concentração choveu muito. Esperamos um pouco até porque  o panfleto da manifestação não tinha chegado. Cansados de esperar saímos em direção a Rua da Bahia , Avenida dos Andradas , passando em frente da Santa Casa , Avenida Brasil até em frente ao Colégio Arnaldo. Como não havia panfleto e nem faixas explicativas o povo não entendeu muito bem qual era o motivo daquela cena. O impacto da carroça com um caixão não aconteceu porque Imagem inline 1compromissos não foram cumpridos. A manifestação estava prevista para as 15 horas. Depois de muito tempo esperando começamos finalmente a panfletar os motoristas e transeuntes. Aproximadamente as 17 horas decidimos sair em passeata pela Avenida Brasil  ,  até a   Rua Maranhão, 310 - Santa Efigênia, onde fica localizado  o Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto - CASV- EUA (Serviços de Informações sobre Visto da Embaixada dos EUA, em Belo Horizonte). levamos um manifesto para ser entregue a uma autoridade americana. Como  esta não apareceu demos por encerrada a manifestação. Assinaram o manifesto dezenas de entidades e cidadãos. Participaram da manifestação exatamente oito companheiros. Saliento que nas reuniões da coordenação do evento foi sugerido que marcássemos para as 15 horas de terça feira porque uma liderança síria só podia naquele horário. Ela não foi. Finalizando deixo esta mensagem:
Não adianta chorar pelas crianças , mulheres e idosos assassinadas na Síria pelos EUA. Suas lágrimas não ressuscitarão elas.
O manifesto começa assim:
"Nós, abaixo-assinados, manifestamos nossa solidariedade ao povo sírio em face das operações militares promovidas pelos governos dos EUA e seus aliados".


Em 18 de setembro de 2013 01:41, Betinho Duarte <duarte.betinho@gmail.com> escreveu:
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Em 18 de setembro de 2013 01:38, Betinho Duarte <duarte.betinho@gmail.com> escreveu:

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Em 18 de setembro de 2013 01:35, Betinho Duarte <duarte.betinho@gmail.com> escreveu:

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Em 18 de setembro de 2013 01:31, Betinho Duarte <duarte.betinho@gmail.com> escreveu:

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

CNV percorrerá país em nova rodada de audiências públicas


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Calendário foi definido na primeira reunião do colegiado com a participação do advogado Pedro Dallari, novo membro da comissão.
Membros e assessores da Comissão Nacional da Verdade, reunidos hoje em São Paulo, fecharam um calendário de audiências públicas em quatro regiões do país durante os próximos três meses. Também foram tratados detalhes da reunião de trabalho com as comissões estaduais e municipais da verdade que será realizada nos dias 29 e 30 de setembro.
A reunião foi a primeira que contou com a participação do novo membro da CNV, o advogado e professor universitário Pedro Dallari, ex-deputado estadual, ex-secretário de governo na gestão Erundina em São Paulo e atual vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da USP. Além de Dallari, participaram da reunião o coordenador da CNV, José Carlos Dias, e as integrantes do colegiado Maria Rita Kehl e Rosa Cardoso.
Foi definido que a CNV realizará audiências públicas em conjunto com comissões estaduais e promoverá audiências dos grupos de trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical, Papel das Igrejas durante a Ditadura e Perseguição a Militares.
A próxima audiência da CNV será nos dias 17 e 18 de setembro, no Rio de Janeiro, uma parceria do GT Igrejas e da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro. No dia 20, em São Paulo, em parceria com a Comissão Estadual da Verdade, o tema é a cadeia de comando da repressão e a Oban.
Em outubro, já estão confirmadas cinco audiências, duas delas são do GT Sindical da CNV: dia 1/10, sobre a destruição do antigo Comando Geral dos Trabalhadores pela Ditadura e dia 7/10, sobre os 50 anos do Massacre de Ipatinga. Dia 11 de outubro está prevista uma audiência do GT da Operação Condor sobre os argentinos desaparecidos na Guanabara e nos dias 17 e 18 uma audiência sobre a Casa da Morte, em parceria com a Comissão do Rio. No período de 21 a 24 de outubro o GT Igrejas irá à Belém.
Em novembro, a CNV deve realizar em Brasília três dias de audiências públicas sobre a Guerrilha do Araguaia e o GT Igrejas da CNV deverá percorrer Salvador, Recife e São Paulo. Agentes da repressão serão convocados para depor.
Também estão previstas audiências sobre o financiamento da repressão e sobre militares perseguidos pela repressão em São Paulo.
Pedro Dallari afirmou aos colegas ter ficado muito bem impressionado com o volume de trabalho realizado até agora pela Comissão da Verdade. "Chego a uma comissão estruturada e venho me encaixar onde posso ser útil", afirmou. O advogado e professor integrará o GT Mortos e Desaparecidos, junto com Rosa Cardoso e José Carlos Dias.

Chile: 11 de setembro de 1973

Eliete Ferrer
Acordamos, naquela manhã, com a companheira Lenise que chegou, nervosíssima, e avisou: “O golpe! O golpe!” Estávamos na casa do Reinaldo e da Dora. Dia 11 de setembro de 1973. Tinha começado a segunda fase de terror da minha vida. Ligamos o rádio e ouvimos o discurso de despedida do presidente Allende. Teve início implacável perseguição e caça aos estrangeiros. Para não sermos presos, por segurança, saímos da casa do Reinaldo e da Dora e rumamos para a casa da Lilliam e do Jaime, onde, se supunha, todos estaríamos a salvo. Apartamento no Centro, calle San Martin perto da sede do Partido Socialista. Manhã cinzenta. Simulando naturalidade, saímos dois a dois, apressadamente devagar, caminhamos meio aos tiroteios, ouvindo rajadas de metralhadora. Estrondos. Lembro-me com se fosse hoje e entristeço-me.
Nunca mais vi a solidária querida companheira Dora. Ela e o Reinaldo refugiaram-se na embaixada do México, em Santiago. Em 1o de junho de 1976, ela se suicidou em Berlim.
No dia seguinte ao golpe, 12 de setembro, fomos presos todos da casa. Éramos sete brasileiros, estrangeiros naquele país aviltado pela sanha que patrocinava a subversão da ordem constitucional e tomada de poder por militares raivosos. Junto com dezenas de objetos úteis e inúteis, como cigarros, dinheiro, relógio de pulso, utensílios de cozinha e tubos de tinta óleo, meu passaporte foi surrupiado pelo pelotão de carabineiros que invadiu a casa, armados até os dentes.
- Manos arriba! Manos arriba! Manos arriba!
Depois de uma simulação de fuzilamento no terraço do prédio, trouxeram as três mulheres para o apartamento, onde houve tentativa de estupro. Os homens foram capturados e levados ninguém sabia para onde. Violência. Terror.
Nós, três meninas, duas irmãs e eu cunhada, empurradas pelos carabineiros até a porta do apartamento. Acho que a porta tinha batido. Não tínhamos a chave para entrar. O Capitão Gallardo, chefe dos policiais, mete a mão no bolso, puxa um volumoso molho de chaves e experimenta uma a uma. Logo encontra uma chave que abre aquela porta, para nosso espanto! Terror. Terror com muitos erres. Lilliam, Leyla e Eli. Sós. Sem SOS.
Aprendi, naquele dia 12, o verdadeiro significado da expressão “tremer de medo”. O corpo todo treme, especialmente as pernas. Para manter-se em pé, ou para disfarçar tal constrangimento, a solução é encostar ou apoiar uma parte do corpo na parede, caso seja possível.
Dias depois, fizemos várias tentativas de entrar em alguma embaixada. Vãs. As embaixadas estavam cercadas de policiais. A companheira Nazareth nos levou à Cruz Vermelha chilena. Eu ganhei um papel, que conservo até hoje, que equivaleria a uma identidade, onde constava que estava sob a proteção, da instituição que chamávamos “Cruz Roxa”, em castelhano Cruz Roja. Todo tempo barulho de tiros, rajadas, bombas. Tanques nas ruas.
Soubemos, mais tarde, que os meninos tinham sido levados para o Estádio de Chile e, posteriormente, para o Estádio Nacional. Não havia certeza de nada. Somente sabíamos que nesse Estádio havia maior concentração dos presos que tinham sido sequestrados em Santiago. Consultei centenas de listas pregadas nos portões do Estádio Nacional, praticamente, cercado por carabineiros e soldados. Jamais encontrei os nomes dos nossos queridos nas várias vezes que estivemos na porta daquele Estádio. Centenas de pessoas procuravam familiares e amigos, não obstante a apreensão e o medo. Levamos roupas, comida, escovas de dente e sei lá mais o quê. Entregamos esses objetos às mulheres da Cruz Vermelha Eles nunca receberam tais provisões. Estrondos. Rajadas.
Não tínhamos quaisquer notícias dos que, supostamente, estavam presos. Estariam, realmente, presos? Onde? Estavam vivos? Olhos arregalados. Tinha muito medo de ir lá, no Estádio, pois não tinha documentos, já que os carabineiros levaram meu passaporte. Portava aquele papel da Cruz Vermelha que, na realidade, não valeria nada, naquelas circunstâncias. Eu era alta, esguia, morena – não tinha aparência chilena. Nas ruas, patrulhas revistavam qualquer um. Estampidos.
Na embaixada do Brasil em Santiago, quando pedi ajuda, fui tratada como um bicho com doença contagiosa.
Assim que houve abertura do aeroporto, chegaram, para nossa salvação afetiva, o Simões, pai de Lilliam e do Reinaldo e os pais do Jaime. O Simões é e sempre será meu grande amigo sogro. Em 1968, casei-me, pela primeira vez, com o filho mais velho dele e da Margot, eterna sempre amiga – e sogra segundo as regras do Direito Civil. O casamento foi cedo “para as picas”, mas a amizade com os familiares é perene. A minha amizade com a Margot constituiu extraordinário capítulo à parte na minha vida – hors-concours. Desde que a conheci, até seus últimos dias na face da terra, fomos grandes amigas.
Levadas pelo Simões, transferimo-nos para um hotel, apavoradas por estar naquele local, cuja porta poderia ser aberta com o molho de chaves do chefe do grupo de carabineiros que tinha invadido o apartamento. Certo dia, de táxi, fui, outra vez, até os portões do Estádio Nacional para consultar as famigeradas listas. Perigo. No caminho, entreguei um papel ao motorista, quando nos aproximamos de uma das várias patrulhas que allanavan, revistavam veículos. No papel, escrevi meu nome e o nome do hotel onde estávamos. Pedi que ele avisasse o Simões, caso eu fosse levada pelos policiais.
Nunca achei o nome do Luiz Carlos Guimarães nas listas. Risco. Desespero. Coração na boca. Nosso carro não foi parado. Tiros.
No dia 29 de setembro, creio, entramos eu e a Lilliam em Padre Hurtado, convento que se tornou um dos refúgios, “meio” protegidos pela ONU, isto é, pelo ACNUR, Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, abertos em Santiago. Meu queridíssimo Simões, protetor, eterno sogro amigo, nos acompanhou até lá. Saudade. Medo. Angústia. Ansiedade.
A Leyla voltou para o Brasil com o Simões. Depois que chegou, foi presa, em casa, no Rio.
A primeira pessoa que encontrei em Padre Hurtado foi o Érik, hoje Castor, sempre Roberto. Era amigo de muito, muito antes. Procurado pela polícia política, com seu retrato em cartazes espalhados pelo Brasil inteiro, às vezes, escondia-se lá em casa, no Rio. Saía sem ser visto. Dormia com o revólver ao lado do travesseiro. Sempre gostei muito dele. Adorei vê-lo. Seu rosto, um acolhimento naquele momento apreensivo, inferno futuro indeterminado. Os carabineiros podiam invadir a qualquer momento aquele lugar. Rajadas. Tiros.
Depois do Chile, de Padre Hurtado, nunca mais tive prisão de ventre.
Éramos muitos, estrangeiros de todas as nacionalidades – brasileiros, uruguaios, argentinos, bolivianos, paraguaios, costarriquenhos, etc. Alguns chilenos clandestinos também. Quase quinhentos éramos. De todas as idades, jovens, homens, mulheres, crianças e idosos. Muitas crianças e alguns nenenzinhos ainda de colo. Não havia, que eu lembre, nenhum europeu. Os cidadãos de países europeus foram protegidos pelas suas representações diplomáticas.
Dormíamos sob aquelas rajadas de metralhadoras que não acabavam mais. Terror. Eu e a Lilliam dividíamos um quarto. Muita gente que eu pouco conhecia. Desconfiança generalizada. Todos ou quase todos desmontamos as maçanetas das portas, que não tinham chave. Trazíamos conosco, sempre, a maçaneta do nosso próprio quarto. Todos. As maçanetas, iguais, cabiam em todos os quartos. Estrondos. Aquilo era um circo maluco ou um jardim zoológico. Em Padre Hurtado, eu vomitava quase todos os dias, no final da tarde.
Monsieur Lehnan (não tenho certeza se é esse seu nome), representante da Cruz Vermelha Internacional ou do ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, suíço casado com brasileira, aparecia para nos visitar, com informes. Certa vez, ele chega ao refúgio com notícias do Estádio Nacional. Todos o cercam ávidos por informações. No meio da fala, ele abre a pasta e tira um livrinho. “Eu trago uma coisa que me deu um brasileiro no Estádio Nacional”, ele diz. “Quem é Eliete?” Pergunta, em seguida. Dei um passo à frente e disse: “Sou eu”. Ele abriu o passaporte, olhou meu rosto e me deu o documento. Caraca! Surpresa, emocionada, eu o abracei e dei-lhe um beijo no rosto, assim... Ele ficou vermelho, porque era um cara, realmente, muito branco, cabelo avermelhado, ruivo. Ficou vermelho, vermelho, como um camarão. “O senhor me desculpe, mas eu fiquei tão radiante!” Chorei para caralho.
Sempre tive vontade de encontrá-lo outra vez. Eternamente lembrarei daquele rosto rubro olhos azuis que trouxeram de volta minha pretensa identidade brasileira.
Parte do relato Passaporte para o Mundo de Eliete Ferrer , no livro 68 a geração que queria mudar o mundo relatos, publicado pela Comissão de Anistia do Min. da Justiça. 

CMVJ - CE PARTICIPA DE EXIBIÇÃO DO CURTA SP70

A exibição do curta SP70 no Museu do Ceará, com a participação do comitê, no sábado 14 de setembro, foi um sucesso.
A sala não comportava mais espectadores, e o comitê conseguiu autorização pública para a utilização do filme no nosso trabalho de educação em Direitos Humanos nas escolas e comunidades.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

EMOCIONANTE SESSÃO SOLENE DA ALEPE PARA MANOEL LISBOA, MANOEL ALEIXO, EMMANUEL BEZERRA E DEMAIS HERÓIS DA LUTA CONTRA A DITADURA

            Por requerimento do Deputado estadual Waldemar Borges (PSB-PE), a Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (ALEPE) prestou homenagem, no último dia 10 de setembro, aos dirigentes do Partido Comunista Revolucionário (PCR), heróis da luta contra a ditadura.
           Emmanuel Bezerra dos Santos, Manoel Lisboa de Moura e Manoel Aleixo (assassinados em setembro de 1973, há quarenta anos) receberam homenagem in memoriam através de uma placa da Assembleia Legislativa entregue respectivamente à Gilda de Sousa, diretora do Centro Cultural Manoel Lisboa, Alfredo Lisboa, sobrinho de Manoel Lisboa e Nathália Lúcia, presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Jaboatão dos Guararapes.
            Segundo consta nas placas, a ALEPE homenageou-os “pela sua heroica luta contra a ditadura militar (1964-1985) e pela democracia e a liberdade no Brasil e no Mundo”. Além disso, os heróis do PCR Amaro Félix Pereira, assassinado em 1972, e Amaro Luiz de Carvalho, assassinado em 1971, foram homenageados na ocasião com a entrega de um buquê de rosas vermelhas pelo seu heroísmo.
            A sessão especial, que foi presidida pelo deputado Diogo Moraes (PSB-PE), teve início com o pronunciamento do Deputado Waldemar Borges, que resgatou a história dos heróis homenageados destacando “a fundamental contribuição de todos que lutaram contra a ditadura para que fosse conquistada a liberdade e a democracia que vivemos hoje”, justificando, portanto, a importância da cerimônia.
            Quando foi entoada a Internacional Comunista, todos os presentes se puseram de pé formando um imenso coral de cerca de duzentas vozes, que ocuparam os lugares de honra e as galerias da Casa Joaquim Nabuco.
           
 Convidado a prestar depoimento, o ex-preso político, historiador e publicitário José Nivaldo Júnior, emocionado, lembrou que convivera com Manuel Lisboa, de quem foi amigo. Nivaldo descreveu o momento em que viu Manoel Lisboa nas dependências do DOI-CODI, no IV Exército do Recife, enquanto ambos estiveram sequestrados: “Manoel foi barbaramente torturado, mas nada disse aos seus algozes”. Segundo ele, “Manoel é um exemplo para todos esses jovens de hoje. Devemos seguir o seu exemplo de um homem íntegro, corajoso, dedicado à causa da humanidade. Sonho com o dia em que todas as sessões desta casa terão início com a Internacional Socialista”.
            Marcelo Santa Cruz, vereador de Olinda pelo Partido dos Trabalhadores, lembrou que Manoel Lisboa, Manoel Aleixo, Amaro Félix, Amaro Luiz de Carvalho e Emmanuel Bezerra lutaram contra a ditadura “da mesma forma que lutou David Capistrano, que foi deputado desta Casa. Por isso, não pode haver mais justa homenagem, porque esta Assembleia Legislativa também foi palco do enfrentamento contra a Ditadura”. Marcelo lembrou ainda outros nomes aos quais também se estendiam as homenagens nas pessoas dos heróis mencionados neste ato de hoje. Santa Cruz encerrou seu discurso de punho erguido dizendo que “os heróis que lutaram contra a Ditadura e foram assassinados estão presentes!”.
            Convidado para prestar seu depoimento, o Deputado Anísio Maia (PT), daAssembleia Legislativa da Paraíba, lembrou que seu último encontro com Manoel Lisboa fora um momento histórico “Fui a última pessoa a ter um encontro com Manoel antes da prisão”. Anísio lembrou que Manoel Lisboa “era uma pessoa humana extraordinária, sensível... lembro que ele gostava de uma música de Raul Seixas (a mosca na sopa); até hoje eu me lembro dele quando escuto essa música. Era uma pessoa alegre, uma liderança natural. Hoje quando eu vejo um político corrupto eu penso como nós precisamos de mais políticos como Manoel!”.
           Aos depoimentos seguiu-se a canção Pesadelo, de autoria de Maurício Tapajós e Paulo Cezar Pinheiro, executada por Cayto (voz e violão), onde a letra fala: “olha eu de novo, perturbando a paz e exigindo o troco... você me prendeu vivo e eu escapo morto...”.
           Marcus Vinícius, presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Católica de Pernambuco, declamou o poema "Tu e Eles", de autoria de Valmir Costa (ex-preso político), sob o pseudônimo de Lucas, e Iany Moraes, estudante de Cinema da Universidade Federal de Pernambuco, declamou "Às gerações futuras", do homenageado Emmanuel Bezerra dos Santos.
            Em agradecimento pelas homenagens, Edival Nunes Cajá (ex-preso político, Presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa e Membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário), destacou a atualidade das bandeiras defendidas pelos homenageados. “Esses homens lutaram para que não houvesse fome, miséria e exploração. Somente com uma sociedade socialista é possível resolver os problemas da humanidade. Graças à luta desses e de tantos outros foi possível derrotar a Ditadura. É muito importante essas novas gerações aqui presentes saberem que foi possível derrotar a Ditadura Militar graças à dedicação desses homens. Devemos nos mirar nesses exemplos para avançar a luta”.
          Ao longo da sessão também foi exibido um curto filme com a trajetória e a biografia dos homenageados. Estiveram presentes delegações de todas as regiões do estado de Pernambuco e importantes lideranças sindicais, como os presidentes dos sindicatos de construção civil de Caruaru (Henrique Ramos), dos trabalhadores na Indústria da borracha (Geraldo Soares), dos Trabalhadores da indústria de calçados de Carpina e região (Antônio Teobaldo Filho) e o ex-presidente da CUT-PE, Carlos Padilha, além de Samuel Timóteo, coordenador nacional do Movimento Luta de Classes (MLC) e Rafael Freire, presidente do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba e diretor da Federação nacional dos Jornalistas (FENAJ).
Lideranças estudantis organizadas pela União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE) e pela União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) também compareceram e dividiram as galerias da Casa com lideranças populares da Central de Movimentos Populares de Pernambuco (CMP-PE) e do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Vários membros do Comitê Pernambucano pela Memória, Verdade e Justiça (CMVJ-PE) estiveram presentes como Rodrigo Deodato (Coordenador do Gabinete de Apoio Jurídico às Organizações Populares – GAJOP), Anacleto Julião (filho de Francisco Julião), Amparo Araújo (Fundadora do Movimento Tortura Nunca Mais) e o promotor de Justiça do MPPE Westei Conde, todos do CMVJ-PE

Casa da Morte será transformada em Memorial da Verdade e da Justiça


Foto: Roque Navarro
A desapropriação do imóvel que ficou conhecido como a Casa da Morte, localizado no Caxambu, em Petrópolis, depende agora exclusivamente de verba federal. Na quarta-feira, o prefeito Rubens Bomtempo esteve reunido com a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário e a deputada Jandira Feghali para estudar meios de conseguir os R$ 1,2 milhão. A intenção é criar o Memorial da Verdade e Justiça, o primeiro do Brasil que fará parte de uma rede nacional de centros de memória da ditadura. Na primeira reunião com a presença da ministra, foi criado um grupo de trabalho que dará andamento ao processo.
A intenção é de que a desapropriação do imóvel para fins de utilidade pública seja concluída ainda este ano. O decreto que torna os imóveis de número 50 e 120 como sendo de utilidade pública já foi publicado do Diário Oficial. Segundo o procurador do Município, Marcus São Thiago, que faz parte do grupo de trabalho, “o projeto tem como objetivo tornar a casa um alerta para a as futuras gerações, para que os horrores praticados ali não voltem a acontecer”. O próximo passo é definir o conteúdo do memorial e os projetos que serão desenvolvidos no local. Além de acervo, o objetivo do projeto é abrigar também capacitação profissional, como a formação de historiadores e oficinas, além de servir de base para a criação de outros centros de memória nos estados. As reuniões do grupo devem acontecer nos próximos dois meses.
Para a deputada Jandira Feghali, que vai buscar verbas, por meio de emendas parlamentares, para a desapropriação do imóvel, “a parceria da ministra é fundamental.Ao mesmo tempo em que a Comissão da Verdade luta para resgatar a memória das vítimas da ditadura, criar um centro que os homenageia num local onde foi palco para tortura é promover a reflexão sobre aquela época que não pode mais voltar”, afirmou a deputada, que é presidente da Comissão de Cultura da Câmara. Entre os anos 1970 e 1974, durante a ditadura militar, o imóvel conhecido como casa da morte foi montado em Petrópolis supostamente pelo Centro de Informações do Exército (CIE), para a prática de torturas. 
O Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) de Petrópolis também é a favor e foi um dos primeiros a desenvolver campanhas para transformar a casa em um memorial ou museu. O objetivo da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República é criar uma rede nacional de centros de memória da ditadura. No livro Memórias de uma Guerra Suja, o ex-delegado Cláudio Antonio Guerra aponta locais onde podem ter sido sepultados corpos de presos políticos que teriam passado pela chamada Casa da Morte. O local também é objeto de Inquéritos Civis Públicos abertos pelo Ministério Público Federal em Petrópolis.